RPM Tuning: O Polêmico "Último Top Gear" da Era 128-bits que Você Quase Esqueceu

Se você, como eu, cresceu gastando dinheiro de lanche em fita de Top Gear no SNES, provavelmente teve um choque ao ver a caixinha de RPM Tuning numa locadora lá pelos idos de 2004. Mesmo logo, mesma pegada de corrida arcade no nome — e um jogo completamente diferente por trás. Esse título é, talvez, o capítulo mais esquisito (e esquecido) da história da franquia, e a polêmica em torno dele ainda rola em fórum de retrogaming até hoje.

Um Top Gear que Ninguém Pediu
Lançado em 2004 pela Babylon Software e distribuído pela Wanadoo/SCi, RPM Tuning saiu no PlayStation 2, Xbox e PC, em alguns mercados carregando o nome Top Gear: RPM Tuning. A premissa era clara: pegar carona na febre de tuning que Need for Speed Underground acabara de injetar na veia dos gamers e vender isso com a marca Top Gear para os saudosistas.
O problema? O jogo chegou um ano depois do Underground, com metade do polimento e com uma direção que parecia ter sido calibrada num simulador de carrinho de supermercado. A crítica internacional foi dura — médias na casa dos 40–50 no Metacritic — e o público nem teve tempo de perdoar.
Por Que os Fãs Brasileiros Se Sentiram Traídos
Para entender a revolta, é preciso lembrar do peso que Top Gear 1, 2 e 3000 tinham por aqui. Aquele jogo da Kemco com trilha do Barry Leitch, tela dividida e campeonato mundial foi quase um esporte nacional entre 1992 e 1996. Colocar “Top Gear” numa caixa de PS2 em 2004 era mexer com relíquia sagrada.
E o que o jogador encontrava dentro? Um racer genérico de rua, com catálogo de peças cosméticas, aerofólios cafonas e uma trilha techno esquecível. Nenhuma referência aos carros de Fórmula, nenhum acenar para o SNES, nenhum respeito pelo legado. Só o logo reaproveitado para vender cópia.
O Que Realmente Funciona em RPM Tuning
Vamos ser justos: o jogo não é um desastre completo. O sistema de customização visual era razoavelmente profundo para a época, com pintura por camadas, adesivos posicionáveis e upgrades de performance que afetavam comportamento. O modo carreira tinha uma estrutura de “ganhe dinheiro, melhore o carro, suba de categoria” que funcionava.
A sensação de velocidade em algumas pistas noturnas também segurava as pontas, e o editor de adesivos virou piada/meme em alguns canais de YouTube nostálgico por permitir criações bem constrangedoras.
O Fim Silencioso da Marca nos Consoles
Depois de RPM Tuning, a franquia Top Gear simplesmente evaporou dos consoles caseiros. Não houve Top Gear 4, não houve reboot competente, não houve remaster. A Kemco seguiu outros caminhos, a marca ficou emaranhada em licenças, e o nome virou uma espécie de fantasma carinhoso no imaginário do retrogamer brasileiro.
Em um mundo onde até Clock Tower e Front Mission ganham remakes, é quase cruel que um dos jogos de corrida mais amados do SNES tenha terminado sua jornada nessa nota azeda.
Vale Dar Uma Segunda Chance Hoje?
Se você topar encarar RPM Tuning em 2026 sem comparar com Underground, sem comparar com Top Gear 2, e com a cabeça de quem aluga um B-movie numa sexta chuvosa — sim, ele entrega umas duas horas curiosas de nostalgia tosca. A direção é travada, a IA é burrinha, mas tem algo de charmoso naquele PS2 cuspindo polígonos com vontade.
Agora, tratar ele como “um Top Gear de verdade”? Essa batalha ele perdeu em 2004 e não vai ganhar nunca. E talvez esteja tudo bem assim — nem todo legado precisa de sequência. E você, chegou a jogar RPM Tuning na época ou só descobriu essa existência agora pelo nome estranho no Google?




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