Google faz 28 anos: da garagem ao motor de busca do mundo

Google faz 28 anos: da garagem ao motor de busca do mundo

Hoje, 27 de setembro de 2026, o Google completa 28 anos. Não a data de incorporação oficial (4 de setembro de 1998), mas a data que a própria empresa adotou desde 2006 como aniversário — escolhida originalmente para coincidir com um recorde de indexação de páginas da web. É uma distinção que diz muito sobre como o Google pensa: menos sobre documentos burocráticos, mais sobre marcos de impacto real.

Tudo começa com um crawler chamado BackRub

Em 1995, Larry Page chegou a Stanford para visitar o programa de doutorado em Ciência da Computação. Seu guia no campus foi Sergey Brin, um ano mais adiantado no programa. Os dois se estranharam de início — mas em 1996 estavam trabalhando juntos num projeto de pesquisa sobre como rankear páginas web de forma relevante.

O projeto inicial se chamava BackRub — nome que vem de "backlinks", os links de outras páginas apontando para um destino. A premissa era simples, mas a execução era nova: quanto mais páginas relevantes apontassem para um site, mais importante ele deveria ser nos resultados. Era o algoritmo PageRank, que simulava matematicamente o comportamento de um leitor aleatório saltando de link em link pela web.

Em 1997, o projeto ganhou um novo nome. "Google" é uma variação de "googol" — o número 1 seguido de 100 zeros. A ideia era simbolizar a escala da informação que o mecanismo pretendia organizar. O domínio google.com foi registrado em 15 de setembro de 1997.

A garagem, o cheque de cem mil dólares e a incorporação

Em agosto de 1998, Andy Bechtolsheim, cofundador da Sun Microsystems, assistiu a uma demonstração do mecanismo e escreveu um cheque de US$ 100.000 para "Google Inc." — empresa que ainda nem existia formalmente. Page e Brin precisaram abrir uma conta bancária corporativa às pressas para conseguir depositar o cheque.

No dia 4 de setembro de 1998, o Google Inc. foi oficialmente incorporado. A primeira sede era a garagem de Susan Wojcicki (futura CEO do YouTube por quase uma década) em Menlo Park, Califórnia — alugada por US$ 1.700 por mês. Brin e Page trabalhavam ali com um punhado de servidores montados com hardware barato, servindo buscas que já chamavam atenção pela relevância.

De startup a infraestrutura global: os marcos da expansão

A trajetória do Google depois de 1998 é uma sequência de apostas que hoje parecem óbvias, mas não eram na época:

  • 2004: IPO em 19 de agosto, com ações a US$ 85. A empresa foi avaliada em cerca de US$ 23 bilhões no dia da abertura. No mesmo ano, lançou o Gmail com 1 GB de armazenamento — absurdo para a época, quando concorrentes ofereciam 15 MB.
  • 2005: Lançamento do Google Maps e aquisição do Android Inc. por aproximadamente US$ 50 milhões — provavelmente a melhor compra da história da tecnologia.
  • 2006: Compra do YouTube por US$ 1,65 bilhão. Criticada como cara demais na época; considerada um golpe genial hoje.
  • 2008: Lançamento do Chrome. Em menos de uma década, ele se tornaria o navegador mais usado do mundo, com cerca de 65% de participação de mercado.
  • 2015: Reestruturação corporativa. O Google vira subsidiária da Alphabet Inc., consolidando apostas em IA, saúde, veículos autônomos e infraestrutura.

Google como alvo: o lado que a empresa preferia não divulgar

Por anos, o Google construiu uma imagem de invulnerabilidade digital. Essa imagem rachou em janeiro de 2010, quando a empresa revelou publicamente ter sido vítima de um ataque cibernético sofisticado com origem na China. A operação ficou conhecida como Operação Aurora — e envolveu pelo menos 34 empresas comprometidas por meio de um zero-day no Internet Explorer 6.

O Google foi o único alvo com transparência para tornar a invasão pública. A decisão custou diplomaticamente, mas estabeleceu um precedente importante para o setor. Os detalhes técnicos — o Trojan Hydraq, o spear-phishing direcionado, a exfiltração de código-fonte — estão no post sobre a Operação Aurora e como a China hackeou o Google em 2010.

Desde então, o Google passou a investir pesado em pesquisa de segurança. O Project Zero, criado em 2014, é hoje um dos grupos de pesquisa de vulnerabilidades mais respeitados do mundo — responsável por descobrir falhas críticas em Windows, iOS e processadores Intel antes que atacantes as explorassem em escala.

O que significa usar o Google em 2026

Hoje, o Google processa estimados 8,5 bilhões de buscas por dia. O Gmail tem mais de 1,8 bilhão de usuários ativos. O Chrome responde por cerca de 65% do mercado de navegadores. O Android roda em mais de 3 bilhões de dispositivos ativos.

Essa concentração cria riscos concretos. Uma conta Google comprometida — Gmail, Drive, Fotos, Pay, histórico de localização — pode expor décadas de vida digital em um único acesso. Se você usa o Gmail como hub da sua identidade online, dois passos valem a pena fazer agora: ativar autenticação de dois fatores com TOTP no Gmail e verificar se seu e-mail já apareceu em algum vazamento de dados.

Em 28 anos, o Google passou de crawler universitário sem nome a infraestrutura crítica da internet global. O dormitório de Stanford virou um campus de mais de 250 mil metros quadrados em Mountain View. O cheque de US$ 100 mil virou uma empresa com valor de mercado que supera US$ 2 trilhões. E o BackRub — esse nome sem glamour — virou o verbo que usamos para qualquer pesquisa: "vou googlar isso".

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