Mosaic 1.0: 33 anos do browser que inventou a web visual

Mosaic 1.0: 33 anos do browser que inventou a web visual

Você já parou para pensar como era a internet antes de poder ver uma foto dentro de uma página? Antes do GIF animado, antes do banner de publicidade, antes de qualquer imagem inline numa página web? Era 1993, e a World Wide Web que Tim Berners-Lee tinha criado três anos antes era uma rede de texto. Links azul sublinhado, fontes monoespaçadas, zero imagens. Bonito como bula de remédio. Há exatos 33 anos, em 22 de abril de 1993, um estudante universitário de 21 anos chamado Marc Andreessen lançou o Mosaic 1.0 — e colocou uma imagem dentro de uma página de navegador pela primeira vez. Isso foi o começo de tudo.

A web antes do Mosaic: um deserto de texto

Tim Berners-Lee criou a World Wide Web no CERN em 1991. Era genial como protocolo — HTTP, HTML, hiperlinks —, mas os navegadores da época eram primários. O WorldWideWeb (depois renomeado Nexus), escrito pelo próprio Berners-Lee, rodava apenas em computadores NeXT. O Lynx, lançado em 1992, era texto puro no terminal — funcional para quem sabia o que procurava, invisível para qualquer pessoa comum. Para acessar imagens, era necessário baixar um arquivo separado e abrir em outro programa. Parecia mais uma pesquisa em banco de dados do que uma experiência de navegação. A web existia, mas não convidava ninguém.

Dois caras e um projeto fora do horário de trabalho

Marc Andreessen tinha 21 anos e trabalhava como programador de meio período no NCSA — National Center for Supercomputing Applications —, dentro da Universidade de Illinois em Urbana-Champaign. Eric Bina, colega mais experiente, era o outro lado da dupla. Os dois começaram a escrever o Mosaic em dezembro de 1992, em grande parte fora do horário oficial. A ideia era direta: um navegador com interface gráfica, disponível para Unix, Windows e Mac, capaz de mostrar imagens diretamente na página — junto com o texto, sem precisar de programa auxiliar.

A versão 0.5 saiu em janeiro de 1993 para sistemas Unix. A versão 1.0, polida e com documentação, foi liberada em 22 de abril de 1993. De graça. Para qualquer pessoa com computador e conexão.

O detalhe que parecia pequeno e mudou tudo

O que o Mosaic fez que os outros não faziam parece óbvio hoje, mas era revolucionário na época: exibia imagens inline, ou seja, dentro da própria página, lado a lado com o texto. Como em uma revista. Como num livro ilustrado. Nenhum programa separado, nenhum download extra. Você abria a URL e a imagem estava lá, no meio do conteúdo.

Além das imagens, o Mosaic trouxe suporte a formulários — essencial para qualquer interação online que fosse além de leitura passiva —, bookmarks, histórico de navegação e uma interface que qualquer pessoa com mouse conseguia operar sem ler manual. Rodava em Windows 3.1. Rodava no Mac. Rodava em Unix. Era o primeiro browser verdadeiramente multiplataforma com interface gráfica.

A explosão que ninguém tinha previsto

Em dezembro de 1993, o New York Times publicou uma reportagem sobre o Mosaic na capa da seção de negócios. O NCSA já registrava mais de 5.000 downloads por mês — um número impressionante para uma ferramenta de nicho acadêmico distribuída em plena era do modem discado. A web começou a crescer numa velocidade que deixou todo mundo de boca aberta. Não mais como ferramenta de pesquisadores em laboratório, mas como mídia de comunicação de massa. Empresas começaram a criar sites. Revistas imprimiram endereços web na capa. A internet saiu dos campus universitários e entrou nas redações, nos escritórios, nas casas.

De Mosaic a Netscape — e a origem acidental do Internet Explorer

Em 1994, Andreessen deixou o NCSA e, com Jim Clark (fundador da Silicon Graphics), criou a Mosaic Communications Corporation — logo renomeada Netscape Communications. O Netscape Navigator chegou ainda naquele ano e dominou o mercado rapidamente: mais rápido, mais estável, e lançado no momento exato em que a web explodia.

Enquanto isso, o NCSA cedeu os direitos comerciais do Mosaic para uma empresa chamada Spyglass. A Microsoft, percebendo que tinha dormido num mercado que crescia na frente dos seus olhos, licenciou a tecnologia da Spyglass e a usou como base para o Internet Explorer 1.0, lançado em agosto de 1995. Sim — o IE original era, tecnicamente, um descendente direto do Mosaic. A guerra dos navegadores que definiu os anos 90 começou naquele servidor da Universidade de Illinois.

33 anos depois

O Mosaic não foi apenas um software. Foi o botão "ligar" da internet como experiência humana. Antes dele, a web era promessa de tecnólogos. Depois dele, foi produto, mercado, cultura, rotina. Marc Andreessen tinha 21 anos quando começou a escrever o código. Alguns anos depois, fundaria a Netscape e viraria bilionário. Hoje é sócio da firma de venture capital Andreessen Horowitz (a16z). O jovem que inventou o browser moderno agora financia a próxima geração de inventores.

Mas o legado real está nos 33 anos de navegação que vieram depois daquele 22 de abril de 1993 — em cada imagem que você abre numa aba, em cada link que você clica sem pensar, em cada site que você visita sem precisar baixar nada. Isso tudo começou com dois caras trabalhando fora do horário num laboratório de Illinois.

Tem memória da primeira vez que navegou na internet? Me conta nos comentários. E se quiser mais história da computação com cara de nostalgia, dá uma olhada no post sobre o Winamp, que ontem completou 29 anos aqui no blog.

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